3 projetos de urbanismo que reduzem o isolamento social

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|02/03/2020

Hoje, áreas como arquitetura e urbanismo, psicologia e neurociência demonstram que há diversas evidências disso. Sabe-se, por exemplo, que o local onde vivemos e seu arranjo urbanístico e arquitetônico afetam nosso humor, nossas emoções e nosso bem-estar. E podem, também, propiciar ou reduzir os níveis de isolamento social.

Aqui, cabe ressaltar que o isolamento social nem sempre é resultado de se estar sozinho, mas de nos sentirmos conectados a pessoas ao nosso redor, fazendo parte de um grupo ou comunidade.

No artigo de hoje, descubra mais sobre como o isolamento social pode ocorrer mesmo em ambientes de grande densidade populacional, sua relação com o arranjo das cidades e tipos de projetos que já estão trabalhando para desestimular o avanço desse problema de grande impacto para nossa saúde física e mental. Acompanhe a seguir.

O problema do isolamento social nas grandes cidades x arquitetura e urbanismo dos locais

Conforme estimativas da ONU, os grandes centros urbanos deverão abrigar, nos próximos anos, uma parcela ainda maior de pessoas. No entanto, apesar da alta densidade, que poderia levar a uma maior probabilidade de interação e criação de relacionamentos, há ainda muitos gargalos que estimulam o isolamento social e a solidão atrelados à experiência urbana.

Acontece que, conforme já ouvimos com diferentes terminologias, esses ambientes estão, muitas vezes, rodeados de “amor líquido”, como afirmava o sociólogo Bauman e, com isso, as relações sociais acabam sendo superficiais e menos duradouras. E são as relações de laços mais fortes que acabam realmente fazendo a diferença para a nossa saúde mental.

Por fatos como esse, a arquitetura e o urbanismo voltam-se, cada vez mais, para questões que vão bem além do concreto – a neuroarquitetura (a neurociência aplicada à arquitetura para criar ambientes que estimulem o bem-estar das pessoas) é um exemplo disso.

De fato, há diversas pesquisas voltadas ao estudo de como o ambiente urbano impacta no bem-estar mental e no humor das pessoas. Uma delas, por exemplo, verificou que células de nosso cérebro responsáveis, entre outras coisas, por regular nossa motivação e emoção sintonizam-se com o arranjo dos espaços que transitamos e vivemos.

Desse modo, estudiosos acreditam que crescer em uma metrópole sem os devidos cuidados com a criação de espaços que propiciem condições positivas para nosso bem-estar mental pode elevar as possibilidades de se desenvolver problemas como depressão, ansiedade crônica e outros distúrbios que, acredita-se, tenham origem no estresse social – caracterizado, justamente, pela ausência de laços de relacionamento forte com a comunidade em que se vive.

E tudo isso, em última instância, conforme estudo da Universidade Brigham Young, eleva significativamente o risco de morte prematura de quem vive socialmente isolado.

3 exemplos de tipos de projetos que podem reduzir o isolamento social

Como vimos, buscar estratégias para diminuir o isolamento social é algo realmente relevante. Os projetos de arquitetura e urbanismo contemporâneos devem levar em consideração estratégias que ajudem a aproximar pessoas, combater a solidão, incentivar interações sociais e conexões entre os membros das comunidades.

Há alguns tipos de projetos que tornam essas condições favoráveis. Entre eles, estão:

1. Apartamentos coliving/moradias cohousing

Especialistas, como a arquiteta Grace Kim, defensora do modelo cohousing e que proferiu um TED Talks inteiro sobre o assunto, acreditam que a solução para o isolamento social passa pelo incentivo a comunidades e vizinhanças mais próximas e ativas, nas quais os moradores conheçam-se e interajam socialmente, criando conexões mais sólidas.

Para a arquiteta, as moradias cohousing são o antídoto para o isolamento social. Nelas e nos modernos apartamentos coliving, as pessoas têm a intenção clara de viver de modo colaborativo e compartilhado e isso é um grande incentivo às trocas, às conversas, às rodas de pessoas, aos projetos conjuntos, etc.

2. Ambientes de coworking

Com a flexibilização dos regimes de trabalho, a ascensão dos negócios digitais, as facilidades de se tornar MEI (Microempreendedor Individual), entre tantos outros motivadores, deve-se perceber também nos próximos anos um incremento no número de pessoas que trabalham em casa. Essa possibilidade apresenta diversos atrativos, como a flexibilidade de horário, a possibilidade de um equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional, a otimização do tempo, entre outras.

No entanto, quando se trabalha e mora no mesmo ambiente e sozinho, a sensação e os malefícios do isolamento social podem se manifestar.

Esse é um dos motivos que fazem os ambientes do tipo coworking terem tanto sucesso. Neles, o profissional consegue se conectar com facilidade com outras pessoas, desenvolver sua rede de contatos, ter interações ao longo de seu dia, sentir-se acolhido e parte de algo.

3. Jardins comunitários

Além do resgate ao senso de pertencimento a uma comunidade, quem vive nas grandes cidades também precisa retomar o contato com a natureza. E os projetos de jardins comunitários ajudam nessas duas frentes.

Esses espaços ajudam seus frequentadores a terem mais qualidade de vida, integração e socialização por meio de atividades e eventos, uma alimentação mais saudável, com o cultivo de hortas comunitárias, e o tão importante contato com o verde.

Você conhece algum outro tipo de projeto de urbanismo que ajude a reduzir o isolamento social? Que outras ações podemos tomar para lidar com esse problema nas grandes cidades? Deixe sua mensagem nos comentários.

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