‘Vamos reinventar o mercado imobiliário e fazer revolução’

Imagine um jovem que, já independente, retorna à casa dos pais e passa a viver de novo sob as regras deles. Alexandre Lafer Frankel criou uma empresa, vendeu-a e voltou a trabalhar na incorporadora do pai. Viu-se, então, incomodado com o padrão vigente no mercado imobiliário e decidiu criar a Vitacon.

A percepção de que o segmento era retrógrado e conservador o levou a uma proposta diferente. “Desde os primórdios eu já tinha essa cabeça de mobilidade, de criar casas mais compactas, permitir que as pessoas tenham acesso à moradia de qualidade”, diz.

O dia em que passou quatro horas no trânsito entre faculdade, estágio e casa foi um clique. Decidiu morar de forma inteligente, perto do trabalho – e aplicou a ideia ao negócio.

Assim, especializou-se em viabilizar apartamentos compactos, de 14 m² a 60 m², em bairros tradicionais de São Paulo, próximos de escritórios.

Hoje, a incorporadora e construtora fundada por ele contabiliza mais de 40 empreendimentos, 16 canteiros de obras ativos e volume geral de vendas acima de R$ 3 bilhões.

Tradição e renovação

A familiaridade de Frankel com o mercado imobiliário começou cedo. Com três anos de idade, visitou pela primeira vez um canteiro de obras. Como o mais velho de dois irmãos, cabia a ele acompanhar o pai nos empreendimentos, uma tradição que mantém com seus dois filhos. “Meu prazer no fim de semana é visitar a obra e o estande de vendas”, diz.

“Lembro-me de quando tinha 15 anos e fui visitar um empreendimento com meu pai. No dia tinha faltado um corretor e decidi atender os clientes. No fim, acabei vendendo duas unidades”, conta.

Seu primeiro trabalho formal foi como estagiário em uma corretora de ações on-line, em 1998, quando o mercado de internet estava em ebulição. O negócio foi vendido para um grande banco e ele decidiu empreender.

Aos 17 anos, criou uma empresa de entretenimento digital que fazia jogos para celular, novidade na época. A startup chegou a ter mais de 100 funcionários e então foi vendida.

Para o empresário, essa passagem pela internet, combinada com sua formação como engenheiro civil e o fato de vir de uma família tradicional na construção civil, formou o mix que o levou a criar a Vitacon.

Ambiente desafiador

Em 2009, o mundo estava em meio a uma crise financeira global iniciada no mercado imobiliário norte-americano. Foi nesse cenário que, bombardeado por comentários pessimistas, decidiu investir.

Com o dinheiro obtido com a venda da startup de internet, Frankel comprou um terreno na Vila Olímpia, bairro nobre de São Paulo, para um projeto que reunia apartamentos compactos e escritórios.

“Apesar das críticas, eu realmente acreditava que as pessoas iam se interessar em morar ali por ser próximo de escritórios e prédios comerciais da região – e essa ideia se mostrou correta”, lembra.

As 300 unidades foram vendidas em um único fim de semana. “No dia seguinte, tínhamos todos esses contratos para administrar. A empresa era eu e um estagiário”, conta.

Apesar das dificuldades, o negócio deu certo, a família entrou para o time da Vitacon e hoje forma um grupo com incorporação, construtora, empresa de vendas, imobiliária e empresa de aluguel.

Olho no futuro

Frankel aponta como maior sonho mudar o mundo por meio do mercado imobiliário e criar empreendimentos populares. O primeiro teste nesse perfil foi no Bom Retiro, centro de São Paulo, com um apartamento de 14 m². “Independentemente de classe social ou valor, os princípios são os mesmos: as pessoas valorizam o tempo, a família, e essa simplicidade eu quero para todo mundo”, diz. A crise econômica fez a Vitacon desacelerar. Mas, com a perspectiva de retomada do mercado, o empresário, que há 13 anos não tem carro, promete uma revolução. “É um movimento pró-social, pró-qualidade de vida, mais descolado e muito mais livre de posses e problemas”, define. A empresa investe em startups correlatas. Uma delas é a Sampa Housing, que gerencia apartamentos para o proprietário não se preocupar com inquilinos, e recebeu um aporte de R$ 2,5 milhões.

Elaine Coutrin

Fonte: DCI – Diário Comérci Indústria e Serviços

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