“A Capital da Solidão” foi o nome escolhido pelo jornalista Roberto Pompeu de Toledo para seu livro sobre a história de São Paulo, desde a fundação até o ano de 1900. Mas poderia ser o título de uma obra sobre o centro da capital paulista atualmente.

Essa é a região da cidade com a maior concentração de domicílios unipessoais –como o IBGE chama residências ocupadas por só uma pessoa.

No distrito da República, que tem o maior índice de São Paulo, 38,8% dos domicílios são assim. Em seguida, vêm Consolação e Bela Vista, com 36,5% e 34,5% das casas com apenas uma pessoa, respectivamente. A título de comparação, as residências com um habitante só são 14,1% do total em toda a cidade.

A catarinense Camila Olivo, 37, mora sozinha na capital há três anos e meio, num apartamento na Consolação.

“Vim estudar para fazer carreira diplomática”, diz ela, que trabalha com publicidade. “Cheguei a procurar apartamento em Pinheiros e nos Jardins, mas o custo-benefício era melhor na Consolação. Fiz a busca pelas ruas onde eu gostaria de morar e acabei encontrando”, afirma.

A possibilidade de fazer tudo a pé foi, aliás, foi um dos pontos que pesaram na decisão da publicitária pelo centro. “Posso ir a restaurantes e cinemas sem precisar de carro ou transporte público.”
tendência.

Em todo o país, cada vez mais pessoas têm optado por morar sozinhas, afirma José Eustáquio Diniz Alves, demógrafo do IBGE.

“Antes, no Brasil, havia duas situações que levavam as pessoas a morar sozinhas: viuvez ou transferência de trabalho, sem a família”, diz.

Hoje, há outras motivações, como jovens que deixam para se casar mais tarde e o aumento nas taxas de divórcio. “Isso é mais expressivo nos grandes centros urbanos”, acrescenta Alves.

Para o demógrafo, quem é sozinho prefere as zonas centrais pela facilidade de transporte público e pelo preço mais baixo –já que as famílias que moravam na região se mudaram para bairros residenciais mais afastados a partir dos anos 1970 e 1980.

Alves também ressalta o grande número de mulheres que não dependem financeiramente de um cônjuge e, eventualmente, buscam trabalho em outras cidades, como é o caso de Camila Olivo.

A publicitária ainda vê outra vantagem na região: o tamanho das unidades, geralmente maiores por serem mais antigas. Seu apartamento tem apenas um dormitório, “mas só no quarto cabe uma cama de casal, um armário grande e uma escrivaninha.”

De olho em um público de solteiros que não querem dividir a moradia, as incorporadoras passaram a lançar imóveis cada vez menores em bairros do centro da capital.

“Em geral, o público desse tipo de empreendimento é jovem, bem-sucedido e quer estar próximo do metrô e dos terminais de ônibus para ter acesso fácil a outros pontos”, diz Alexandre Lafer, CEO da incorporadora Vitacon.

Segundo Lafer, a metragem menor, além de custar menos, dá menos trabalho de manutenção para esse morador. “Temos empreendimentos no centro a partir de 14 m² e R$ 89 mil”, afirma. É o caso do Vita Bom Retiro, localizado na rua Anhaia.

(…)

Fonte: Folha de S.Paulo

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