Estamos passando por um momento transformador. O mercado de construção civil está se ajustando e o setor busca soluções de habitação para que as pessoas possam conciliar residência, deslocamento para trabalho e, também muito importante, o lazer. Alternativas de moradias são muito bem-vindas e precisam estar no radar de qualquer pessoa que estude e trabalhe no setor.

Não podemos ficar paralisados por conta da crise. Sim, o período é difícil, mas prefiro achar que estamos ganhando impulso para retomar o crescimento. Assim deve ser. Isso é inovação. É pensar fora da caixa. E buscar alternativas para não sucumbir aos lamentos.

Quando trato de inovação e proponho pensar fora da caixa, não penso filosoficamente, falo ciente das dificuldades de buscar itens tangíveis para melhorar as condições da economia e, inclusive do setor que atuo e que vivo desde o berço. Precisamos criar condições sustentáveis e buscar o diferente em nossa forma de agir e construir.

As empresas precisam de uma inteligência que reflita o comportamento das pessoas para as próximas décadas. Por exemplo, entre 2005 e 2015, a expectativa de vida do brasileiro aumentou de 72 anos para 75,4 conforme dados do IBGE. A tendência é que a população idosa dobre nos próximos anos. Nossa pirâmide populacional está tomando uma nova forma e se olharmos a projeção, em 2030, o índice de natalidade estará menor, e as pessoas vivendo mais. Precisamos refletir como empreendimentos que ajudem a população idosa e cuidem de itens que antes nem eram pensados. Prédios inteligentes que proporcionem ao morador com mais de 60 ou 70 anos uma vida independente, mas monitorada. Com serviços de profissionais multidisciplinares que o auxiliem a ter mais qualidade de vida.

Um dos pontos que mais me chama a atenção, quando participo de palestras e seminários em São Paulo ou em outros lugares do Brasil e mundo, é a quantidade de iniciativas criativas que podem virar bons negócios. Precisamos promover a tendência do sharing economy. Criar espaços de compartilhamento, áreas de coworking dentro dos empreendimentos. Pensar em prédios focados em atender exclusivamente cada idade ou fase da vida, como exemplo, uma solução exclusiva para o público estudantil, com infraestrutura que permita a criação dos primeiros laboratórios de inovação, as primeiras usinas de ideias para serem dissipadas e estudadas. E 2017 pode ser um marco para as construções segmentadas ou de nicho, incentivar o empreendedorismo e a criação, como motores da nova economia. O próximo Google será brasileiro.

Continuamos a estudar tendências e acreditamos em unidades menores como forma de viabilizar a moradia em pontos centrais de São Paulo. Dar às pessoas mais tempo para fazerem o que realmente importa na vida, em vez de ficarem presas 3 horas/dia no trânsito. Como adepto das bicicletas, acredito que estamos ajudando na mudança do estilo das pessoas e queremos fortalecer ainda mais os serviços de compartilhamento, oferecendo mais praticidade e simplicidade no dia a dia. Possibilitar alternativas de transporte (a pé, bikes, carro compartilhado ou transporte coletivo) e, com isso, mudar também a realidade urbana que hoje vivemos – uma cidade lotada de carros. Precisamos engajar mais as pessoas para um estilo de vida simples e para que elas se certifiquem que ter menos, vale muito mais.

Com a chegada de novos gestores aos municípios brasileiros, há um momento propício para mudanças e, sobretudo, para a inovação. Aqui em São Paulo, o desafio é imenso e o novo gestor sabe disso. Agora, as pessoas precisam também enxergar os desafios a que estão sujeitas, parar de chorar, arregaçar as mangas e encarar a realidade de ter que recolocar o Brasil e suas cidades nos trilhos. Boa sorte prefeitos!!!

Fonte: O Estado de S. Paulo

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