Os chamados “imóveis de entrada”, projetados para quem quer comprar o primeiro apartamento, estão movimentando o mercado imobiliário nos últimos meses.

Pesquisa do Secovi-SP (sindicato do setor) mostra que as unidades voltadas para esse público foram campeãs tanto em número de lançamentos quanto em volume de vendas em maio -foram 809 lançamentos e 741 unidades de um ou dois dormitórios vendidas (cerca de 70% no total, em ambos os casos).

Em geral, esse é o perfil do “imóvel de entrada”: compacto, com até 70 metros quadrados, e preço máximo de R$ 450 mil, segundo Celso Amaral, diretor da Amaral d’Ávila Engenharia de Avaliações e da consultoria imobiliária Geoimovel.

Mudanças demográficas explicam a preferência por esse tipo de empreendimento, de acordo com Alexandre Lafer Frankel, presidente da Vitacon. A incorporadora investe em prédios de microapartamentos -caso do VN Alvorada, na Vila Olímpia (Zona Oeste de SP), com estúdios de 25 m² vendidos a R$ 299 mil.

“Há um aumento no número de solteiros, porque os jovens estão se casando mais tarde. Além disso, as famílias têm diminuído”, afirma.

PERTO DE TUDO

O advogado Marco Aurélio Betoni, 26, gosta de andar de bicicleta e tem um carro. Ele acabou de trocar um apartamento de 230 m² no Campo Belo (zona sul), onde morava com os pais, por um imóvel de um quarto e 45 m² na Vila Olímpia. O prédio tem uma vaga de garagem e fica próximo de uma ciclovia.

“Queria sair de casa, já estava na hora, e vou ficar mais perto do meu trabalho”, diz.

A localização é um elemento central para os empreendimentos desenhados para serem o primeiro imóvel. Em geral, as construtoras privilegiam regiões centrais, próximas de redes de transporte ou vias de acesso rápido.

A You,Inc., por exemplo, ergue seus prédios de “imóveis de entrada” na borda de linhas do Metrô. Próximo da estação Santa Cruz, na zona sul, o You,Prime terá apartamentos de dois e três quartos, com plantas de 47 m² a 68 m².

“Os compradores são pessoas que cresceram na Vila Mariana e querem sair da casa dos pais, mas continuar no bairro”, diz Felipe Coelho, diretor comercial da empresa.

Outra exigência desse público são prédios com muitas opções de lazer e a oferta de serviços do tipo “pay-per-use”, como lavanderia.

“Com apartamentos menores, o morador busca mais ambientes na área comum, como espaços de coworking e salão de festas”, afirma Frankel. “Em uma cidade como São Paulo, é prático não precisar se locomover tanto. Ter uma academia no prédio, por exemplo, facilita.”

Fonte: Folha de S. Paulo

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