Estoques e novidades legislativas

Assim como a maioria das praças do Brasil, o mercado imobiliário na cidade de São Paulo passa por um momento de redução dos estoques. Em janeiro deste ano, eram 27.014 unidades disponíveis e, em maio, o número caiu para 24.799. No entanto, o recuo tem sido abaixo do esperado, devido à baixa velocidade de vendas. Além disso, as exigências da Lei de Zoneamento e do novo Plano Diretor e o aumento dos custos da produção surgem no radar como fatores de preocupação para os empresários do setor

Segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), o mercado se retraiu em maio. Foram comercializadas 1.059 unidades no mês, volume 10,4% inferior em relação a abril deste ano (1.182) e 50,7% menor ao total vendido em maio de 2015 (2.149). Em meio à baixa velocidade de vendas, maio foi também o mês em que mais houve lançamentos neste ano, de 1.166 unidades.

‘O mercado de São Paulo continua passando por um ajuste, que se iniciou no segundo semestre de 2014, em termos de redução de lançamentos. De 2014 a 2015, houve uma redução de praticamente 11 mil unidades lançadas na cidade de São Paulo. Em 2015, foram aproximadamente 23 mil unidades lançadas. Nossa impressão agora é que esse número não ultrapasse 18 mil unidades’, analisa o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.

Atualmente o carro-chefe do mercado imobiliário são apartamentos de primeira moradia, o que chamamos de “necessidades habitacionais”, diz Petrucci, que aposta no “bom e velho dois dormitórios, como o economista chama o produto que mais vende atualmente na capital paulista.

No Brasil Brokers, um dos principais grupos de vendas de imóveis de País os projetos de dois dormitórios tipo econômico tem representando a principal fatia do volume negociado. “É o único segmento que apresentou aumento de lançamentos de 2014 para 2015. Foram lançados 7.800 em 2015 contra 5.800 em 2014. Prevemos até um acréscimo para esse tipo de produto em 2016”, afirma José Roberto Federighi, vice-presidente da Regional São Paulo do grupo.

Em seguida, são os imóveis de um dormitório que preenchem o estoque, com 7.976 unidades. Em dezembro de 2010, a oferta dos compactos era de 455 unidades. Ou seja, em pouco mais de cinco anos, houve um crescimento de mais de 1.700% na oferta deste tipo de produto. Isso se deve principalmente ao surgimento de um novo perfil de comprador que não tinha condição de pagar por unidades maiores.

“São Paulo será uma metrópole de um e dois dormitórios para pessoas solteiras e pequenas famílias. Três e quatro dormitórios serão exceções à regra”, avalia Alexandre Frankel, CEO da Vitacon Incorporadora e Construtora, empresa especializada em projetos compactos. Para ele, é uma questão de tempo para o estoque existente ser absorvido e os imóveis compactos ditarem a tendência para os próximos anos.

Apesar do cenário econômico desfavorável, o último lançamento da Vitacon, o VN Alvorada, de um dormitório no bairro Vila Olímpia, atingiu 30% de vendas em um mês e meio. Com apartamentos de 25 m2 que variam de R$ 300 mil a R$ 400 mil, o empreendimento foi lançado em junho deste ano. Ao todo são 101 unidades com Valor Geral de Venda (VGV) de R$ 600 milhões.

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Fonte: Construção e Mercado – PINI

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