Com a nova startup da Vitacon, alugar é como pedir comida pelo Rappi

A plataforma de moradia sob demanda Housi gerencia aluguéis e dá serviços para consumidores que querem abandonar, de vez, o sonho do imóvel próprio

As pessoas querem que seja tão fácil alugar um apartamento quanto pedir a entrega de uma comida? Duas companhias de grande porte com origens de startup — o aplicativo colombiano de delivery de tudo Rappi e a imobiliária paulistana com ares futuristas Vitacon — apostam que sim.

A plataforma de moradia sob demanda Housi, spin-off da Vitacon criado neste ano, anunciou há poucas semanas a conexão entre seu aplicativo e a Rappi. É possível pedir de forma completamente online o “delivery” de um apartamento mobiliado, junto de serviços como internet e limpeza, pela temporada de escolha do locatário.

A Housi viabiliza nove mil locações mensalmente e reúne 20 mil usuários. Para o futuro, o spin-off se beneficiará tanto do maior ritmo de lançamentos da Vitacon quanto da mediação de imóveis externos à companhia.

Dados sobre tijolos

Para o engenheiro Alexandre Frankel, CEO da Housi e da Vitacon, seus negócios são menos sobre tijolos e mais sobre moradias eficientes. A Vitacon possui 300 funcionários, incluindo os dedicados à Housi, e possui mais funcionários em tecnologia do que em engenharia.

Fundada em 2010, a então pequena imobiliária deslanchou durante a crise econômica, vendendo imóveis compactos (com plantas de 10 a 77 metros quadrados) perto de áreas comerciais e estações de metrô a preços mais atraentes (a partir de 90 000 reais).

“Vivemos um momento em que passar em cartórios, adquirir uma dúvida de 30 anos, ficar a vida toda em uma mesma região e ter sempre a mesma configuração familiar não faz mais sentido. Quatro a cada dez imóveis vendidos apresenta alguma desocupação, o que era inimaginável há uma década. Tivemos captações relevantes enquanto o setor sofria”, afirma Frankel. A construção civil encolheu 20,5% de 2014 a 2018. A expectativa é que haja crescimento em 2019 — um tímido 1,3%.

 

Com a nova startup da Vitacon, alugar é como pedir comida pelo Rappi

Alexandre Frankel, CEO da Housi e da Vitacon (Vitacon/Divulgação)

O objetivo inicial era fazer atender usuários que preferiam tempo ao espaço, fugindo do trânsito da cidade de São Paulo. A Vitacon foi adicionando diferenciais além de preço e proximidade ao longo dos anos.

Apostou em espaços compartilhados e na criação de eventos para sua “comunidade”, feita de compradores (investidores ou moradores) e locatários. Depois, criou um aplicativo para digitalizar a documentação de compra e locação e também a prestação de serviços, como contratação de internet e pedidos para limpeza e reforma.

Oito a cada dez vendas da Vitacon são para investidores e a demanda por incluir a possibilidade de reservas pelo aplicativo foi natural. “Há três anos fazíamos esse trabalho informalmente, mas acabou virando algo tão grande que decidimos fazer um spin-off da companhia. A Housi virou uma plataforma separada de moradias sob demanda, oferecidas como um serviço”, diz Frankel.

O futuro morador pode navegar por imóveis já mobiliados e definir uma data de locação. Ele tem acesso ao mesmo aplicativo da Vitacon para ver documentos relativos ao aluguel, participar de eventos e pedir serviços adicionais.

Números e expectativas

A Vitacon inaugurou 64 prédios até o momento. A companhia faturou 1,3 bilhão de reais no último ano, alta de 60% sobre 2017. Em março deste ano, a Vitacon recebeu um aporte de 500 milhões de reais do fundo americano 7 Bridges Capital para lançar o equivalente a dois bilhões de reais em imóveis nos próximos 12 meses, chegando a sete capitais brasileiras.

Em 2019, o plano é inaugurar mais 14 prédios e alcançar 2,3 bilhões de reais em faturamento, totalizando 3.500 apartamentos. No horizonte de 24 meses, Frankel estima que o comprometimento em imóveis crescerá cinco vezes, para 10 bilhões de reais. Com o aporte, a projeção é que a Housi gerencie 3.500 aluguéis da Vitacon e cresça também com o aluguel de imóveis externos à companhia, assim como “a [empresa de mobilidade urbana] Uber usa automóveis de todas as marcas”. Segundo o CEO, a Housi apresenta ponto de equilíbrio operacional desde sua fundação. O investimento inicial no projeto não foi divulgado e não há, no momento, prazo definido para recuperá-lo.

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